Autoconstrução

Origem: Desciclopédia, a enciclopédia livre de conteúdo.
Ir para: navegação, pesquisa

Cquote1.png Você quis dizer: Favelização Cquote2.png
Google sobre Autoconstrução
Cquote1.png Só assim pra eu ter minha casinha sem ter de me atolar em mais de 8000 parcelas pelo Minha Casa, Minha Vida. Cquote2.png
Pobre sobre Autoconstrução


Autoconstrução, também conhecida como construção irregular, é um termo presente na área de Construção Civil que é utilizado pra designar as construções sem a devida supervisão técnica, tendo sido edificadas sem qualquer observância dos trâmites burocráticos e no geral sem qualquer acompanhamento especializado por alguém graduado seja na área de Arquitetura e Urbanismo, seja na área de Engenharia Civil.

Geralmente são construções cujo foco é na busca de soluções de baixo custo, sendo por isso mesmo muito comuns nas periferias das cidades e nos locais onde a fiscalização das construções por parte dos municípios é negligente e não pega no pé, se tornando em tais áreas algo considerado como uma verdadeira praga sem o menor controle, a despeito de todos os esforços do CAU e do CREA na tentativa de demover eventuais empreitas em tal sentido.

É a forma de construção predominante no país, sendo dominante nas favelas, nas construções antigas de quando sua mãe era virgem, bem como em construções térreas em terrenos de loteamentos populares. Também é bastante comum nas reformas e ampliações, por meio dos infames puxadinhos feitos nas áreas não utilizadas originalmente para construção térrea nos projetos-base apresentados pelas COHABs ou pela CDHU por exemplo.

Se trata de uma construção que apesar de no geral representar alguma economia quando de sua produção, pode apresentar sérios problemas que podem acabar em danos a integridade física dos envolvidos, sejam eles os envolvidos na construção, os moradores ou até mesmo algum transeunte que venha a passar na vizinhança da área eventualmente afetada pelo sinistro relacionado a obra executada de tal forma (ou não).

Origens[editar]

A origem da autoconstrução está ligada diretamente aos primórdios do desenvolvimento da construção, numa época onde não havia especialização formal para a execução de tais obras, sendo que elas eram feitas com base no conhecimento empírico que era repassado de geração para geração.

Uma das primeiras tentativas de regular a construção e responsabilizar eventuais construtores por sinistros foi o Código de Hamurabi, datado de mais de 3000 anos, que determinava que caso houvesse um desabamento de uma construção que ocasionasse a morte de alguém, o responsável pela construção seria condenado a morte.

A partir daí, se começou a se ter uma organização maior dos obreiros no sentido de tentar evitar maiores cagadas, levando a uma maior especialização dos mesmos no ofício construtivo, gerando as construções do mundo antigo que no geral demoravam anos e anos para ficar prontas e também eram baseadas no método empírico de construção.

Mais recentemente, houve aprimoramentos no sentido de haver especializações específicas nas áreas de Arquitetura, Urbanismo e Engenharia Civil, com uso de conhecimento mais refinado e de registros técnicos para efeitos de manutenção, mas ainda assim, o grosso da população não tem sequer noção da importância disso, adotando o mesmo método empírico que teria se mostrado bem sucedido lá por 1900 e guaraná com rolha sem se importar com eventuais implicações disso.

De qualquer forma, os avanços tecnológicos na produção de cimento, de cerâmica e o advento do uso do concreto permitiram a execução de obras com maior durabilidade e o fato de grande parte da população egressa do meio rural ter sido absorvida pelo setor da construção civil fez com que boa parte de tais conhecimentos fossem assimilados, sendo reproduzidos também nas casas da população mais pobre.

No entanto, a assimilação imperfeita decorrente do divórcio entre o conhecimento técnico e o conhecimento formal, a excessiva burocracia e o alto custo decorrente dela, bem como a carência de registros referentes as obras desenvolvidas acabam por tornar completamente caótico o ambiente social onde há o predomínio das atividades de autoconstrução, fazendo com que as organizações de classe busquem a todo custo medidas no sentido de coibir tal tendência, ainda que não tenham grande sucesso nisso.

Vantagens (nem tão vantajosas assim)[editar]

Uma das supostas vantagens da autoconstrução seria o não dispêndio com a burocracia inerente a construção, ganhando-se teoricamente maior agilidade na execução da obra, bem como uma substancial redução de custos com a contratação de profissionais da área de arquitetura e/ou engenharia, se limitando o custo tão somente aos profissionais envolvidos na parte operacional da obra.

Se trata de uma "economia" que poderia até ser bem vinda no curto prazo a depender do caso. No entanto, essa economia pode mostrar problemas, seja na hora de se tentar fazer a regularização da obra para dar condições de que a mesma seja elegível a algum programa de financiamento bancário por exemplo, seja na hora em que se mostre necessária uma reforma, onde eventuais técnicos terão de fazer um trabalho mais minucioso (e caro) na tentativa de fazer adequações ou mesmo terão de fazer retrabalho em cima de algo que não foi devidamente previsto no projeto (geralmente inexistente) da construção.

Como se pode ver, as vantagens da autoconstrução no geral não se justificam, ainda que o custo burocrático seja alto e de efetividade duvidosa, dada a falta de cuidado por parte dos envolvidos com os eventuais registros da execução da obra, que em caso de descuido, podem implicar nos mesmos custos problemáticos quando de eventuais reformas (ou não).

Problemas que podem ocorrer (ou não)[editar]

Aqui elencamos os principais problemas que podem ocorrer por conta de uma autoconstrução sem o devido acompanhamento de alguém que seja responsável tecnicamente pela obra executada, sendo que os efeitos podem ser sentidos em vários aspectos por vários dos envolvidos, como podemos ver abaixo:

Problemas referentes a segurança do trabalho[editar]

Em autoconstruções, bem como em construções dentro da legalidade formal, mas executadas precariamente, pode haver um sério risco de acidentes com os vários elementos utilizados na obra, onde podemos ilustrar como principais:

  1. Quedas - Um problema principalmente quando se trata da execução de alguma obra na altura do telhado, sendo que a mesma pode culminar em fraturas que podem causar incapacitação do trabalhador ou eventualmente na morte do mesmo.
  2. Intoxicações - Efeito possível principalmente pela inalação dos odores provenientes das tintas ou mesmo de partículas em suspensão que incidentalmente venham a ser inaladas com o ar. Pode implicar em problemas de saúde para os presentes na obra, caso não se faça uso dos equipamentos adequados.
  3. Poluição Sonora - A despeito de não ser o ponto mais problemático em autoconstruções térreas, que no geral se utilizam de fundações rasas, o barulho pode ser incômodo, em especial na hora da montagem das formas para os elementos de concreto, convencionalmente utilizado nas construções de alvenaria que constituem a maior parte das autoconstruções de caráter permanente.