Deslivros:Minha primeira vez

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Não tenho a intenção de ser humorista. Apenas venho relatar um fato, que farão muitos chorar. Sempre fui uma pessoa alegre, extrovertida e brincalhona. Nas festas, sempre gostei de dançar, mas sempre zoando com os ritmos e estilos. Por exemplo, quando tocava as músicas do É O TCHAN, eu gostava de fazer as coreografias, só para divertir as pessoas presentes.

Mas o tempo passa, e eu completei 45 anos. Era hora de fazer o exame preventivo, o famoso exame de toque retal. Isso é constrangedor para a maioria dos homens, e eu não estava fora dessa regra. Como não tinha outro jeito, fui ao posto medico e marquei minha consulta, que, diga-se de passagem, foi marcada para um mês depois.

Procurei um amigo, que já havia passado por esse exame, para pedir conselhos sobre como me comportar na hora da consulta. Ele me disse que eu devia ser natural, e não demonstrar nervosismo, me lembrando que eu sempre fui uma pessoa de astral alto, que isso me ajudaria.

Imagem auto-explicativa.

Chegou o dia fatídico. Cheguei ao posto, que estava entupido de gente. Me dirigi a recepcionista, que me identificou e foi até seu arquivo, donde sacou uma ficha. "Discretamente", ela disse: "O seu caso é exame prostático, né?". Eu já fiquei vexado. Ela mandou que eu me dirigisse a sala 10, e aguardasse o médico, que iria demorar ainda 20 minutos para chegar. Eu caminhei até o local indicado, e não gostei do que vi: aproximadamente 20 homens esperando pelo médico.

Eu não queria passar pelas situações de comentários e perguntas, e resolvi voltar lá para a recepção e observar as pessoas, só para aliviar a tensão. Eu vi muita gente, mas um senhor me chamou a atenção em especial. Ele estava falando ao celular. Era um senhor gordo, muito gordo, desses redondos, braços redondos, mãos redondas... E cada vez que ele falava, e achava graça em alguma coisa, ele ria forte "ha ha ha ha", e para cada silaba do ha ha ha ele sacudia o braço, a barriga e o ombro. Eu me distraí e comecei a achar graça nele, ao ponto de começar a rir toda vez que ele ria. Ele acabou, outras pessoas passaram, e eu ouvi o meu nome ser chamado. Corri para o consultório para não perder a consulta.

Me deparei na porta do consultório com um homem alto, cabelos castanhos, olhos azuis, e eu, preocupado, olhei para as mãos dele. Gente, vocês não imaginam o tamanho dos dedos daquele cidadão. Me deu um calafrio que subiu pela coluna vertebral, e me arrepiou de pavor. Ele mandou que eu entrasse. Eu entrei, e de tanto medo do exame, não ouvia o que o médico falava. Lembro ter escutado o seguinte: tire a calça e a cueca, coloque as mãos sobre o joelho.

Eu assim procedi. Tirei a calça e a cueca, coloquei as maõs sobre o joelho, e fiquei lá meio encurvado com a bunda para trás. Eu usava uma camisa social. E camisa social é meio comprida, fica parecendo camisola. Eu pensei o seguinte: Esse médico vai vir, suspender minha roupa e abusar de mim com aquele dedo absurdo. Não... a sensação de alguém levantar minha roupa... de jeito nenhum. Então suspendi a camisa e dei um nó na altura da cintura, e voltei a posição solicitada, porém, com a bunda para fora.

Nisso passa um maldito carro de som na rua, vendendo sei lá o quê, e tocando a música :"Vai dançando na boquinha da garrafa, na boquinha da garrafa. Desce mais desce mais um pouquinho...". Eu me lembrei das festas do tempo de outrora, e sem perceber fui fazendo a coreografia sugerida. Quando eu dei pelo fato, olhei para trás, e lá estava aquele cara de olhos azuis, me olhando com um riso sarcástico. Pensei imediatamente: TÔ FERRADO... AGORA QUE ELE ABUSA MESMO...

Deus é grande... Ele me olhou e disse:"Se o show tiver acabado, por favor, deite-se na cama, e coloque as mãos sobre o joelho". Caraca, eu não tinha ouvido ele falar, na primeira vez, que era para eu deitar na cama... VERGONHA... E ele arrematou: Desamarre a blusa e aguarde o doutor Bonfim.

Ufa... que alivio. Ele não era o médico. Depois de tudo, menos mal. Eu aguardei. Entra o médico. De curioso, eu olhei para ver meu algoz. Assustei, comecei a suar frio imaginando o meu sofrimento. O médico, o Dr. Bonfim, era ninguém mais ninguém menos que aquele gordo do telefone. Que homem gordo, que braço gordo, que dedo gordo... Quase gritei: "Senhor, onde estás que não me escuta?"

Ele já foi chegando, me explicando os procedimentos e dizendo que o exame não demoraria. Rapidamente, passou um creme no dedo e iniciou o exame, começando por levantar minha camisa. Me senti uma mocinha virgem que iria ter seu primeiro momento. Por um instante lembrei daquele enfermeiro alto de olhos azuis. Mas o que estava acontecendo comigo?? Eu sentindo saudades de outro homem??

Ui... Começou a peleja, a invasão de território. O médico tentava invadir o portal, e o portal se fechava. Isso foi várias vezes. Até que ele perdeu a paciência e me xingou "Se o senhor não relaxar vai ficar difícil, e a consulta vai ser cancelada". Tive a impressão de sentir um tapa na minha nádega...Eu relaxei. Mas foi coisa rápida, eu só senti minha visão escurecer, algo começando a invadir minhas intimidades. A sensação era de algo gigantesco. O suor me escorria pela testa, pelos cabelos, etc. O médico me disse: "guenta só mais um pouco que já está acabando".

Eu já estava quase conformado, quando a desgraça maior aconteceu. Porquê não proíbem médicos de usar celular no consultório? O telefone dele tocou, e vocês acham que ele se dignou a terminar o exame para atender o maldito?? Nada... Ele parou o exame no meio do caminho. Eu me sentia com algo entalado dentro de mim... Nada entrava, nada saía, mas tudo doía... E aquela ligação maldita não acabava. Acho que alguém contou uma piada para o Dr. Bonfim.

E o Dr. Bonfim ria, ria e ria (ha ha ha ha ha), e para cada silaba um sacudir de ombros e braços. E para cada movimento desses um entra e sai de dedo... vocês conseguem imaginar?? Conseguem não... isso é inimaginável. Eu rodava de um lado para outro, desesperado. Quando a ligação acabou, o Dr. percebeu a gafe, pediu desculpar e encerrou o exame. Eu que comecei a consulta deitado de lado, acabei com a bunda pra cima e a cabeça mergulhada no colchonete daquela maca (ou cama).

O Dr. Bonfim mandou que eu me sentasse para ouvir seus comentários. Logicamente, eu agradeci, mas preferi ficar de pé, coisa que eu fiz durante uma semana. Por sorte, meu próximo exame foi marcado para daí a um ano, e obviamente eu mudei de posto, por garantia e preservação do buraco negro no universo.