Abate de animais

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A Caça[editar]

Abate de um rinoceronte

A necessidade primária de satisfazer a vontade de comer induziu o homem a caçar e abater os animais existentes ao seu redor, ou a roubar os animais abatidos por outros predadores. Depois do desejo de fazer sexo é o mais forte instinto humano. Existem evidências porém nos depósitos arqueológicos deixados entre 2.500 e 1.500 milhões de anos, pelos nossos antepassados da África Oriental, que gostavam mais e de correr atrás dos animais para abatê-los e comê-los do que dar uma trepadinha. Também as fêmeas não tinham nenhum atrativo, nem um batonzinho, um perfuminho e a perna cabeluda.

Armas rústicas de pedra lascada como uma Metralhadora FN Mag e um Fuzil R 45 foram encontradas próximas as ossadas de animais, comprovando que houve esforço para dominar e abater a presa. Num sitio arqueológico em Pintonokul na Chechênia, datado de 250.000 anos atrás, foram preservados as provas de um episódio de caça a um rinoceronte e a um elefante que acuados foram forçados a pular um precipício, quebraram as pernas e foram abatidos. Houve carne para todos da vizinhança. Os nossos antepassados comiam a carne crua rasgando-as com os seus poderosos dentes caninos (é para isso que temos estes dentes!), sem nenhum tempero, como faziam os animais ferozes. Ainda não era conhecido o sal e nem o fogo para poder fazer um churrasco. Como as temperaturas eram muito baixas, as sobras dos animais abatidos e não consumidos no mesmo dia, eram deixados ao relento, para receber o sereno e a aragem, o que facilitava a eliminação da umidade e o desenvolvimento dos micro-organismos. A carne fermentava e congelava lentamente ficando mais macia e suculenta, quando fosse consumida. É a mesma técnica que hoje é adotada para maturar a picanha. Outras vezes, para a sua conservação eram envolvidas em folhas de papel alumínio,colocadas em covas e cobertas com terra. Usavam presas de mamute para armar uma proteção e evitar o contato da carne com a terra. O resultado nem sempre era o esperado. A cerca de 500.000 anos atrás descobriram como dominar o fogo, permitindo uma visível melhoria na alimentação. Começaram a assar a carne em espetos ou a cozinhar em recipientes de argila que aprenderam a fazer com alguns oleiros do estado do Espírito Santo que já faziam panelas para vender aos turistas.

No período Paralítico (20.000 a 40.000 anos atrás) a caça evoluiu bastante. Foram organizados safáris e os homens desenvolveram maneiras para facilitar a captura e o abate dos animais. Conseguiram exterminar assim algumas espécies de animais de maior porte, aqueles que pelo seu peso não conseguiam correr. Os mamutes foram extintos, assim como alguns tipos de elefantes e o rinoceronte peludo. Em Araçoiaba da Serra (Harazoaberg em alemão), próximo a Morau, na Morávia, foram encontrados apenas numa escavação restos de mais de 1.000 mamutes que foram abatidos e usados como alimento. A diminuição da disponibilidade de animais grandes que eram menos ágeis e proporcionavam maior fartura, provocou o êxodo dos homens primitivos em busca de maior oferta, pois não davam conta de capturar e comer os ligeiros veados, gazelas e renas que corriam desvairadamente pelas planícies. E eles gostavam muito de um veado de qualquer jeito.

Foi atrás de animais maiores que o homem chegou a América à cerca de 30.000 anos atrás, procedente do norte da Ásia. Atravessaram o estreito Joelmir Beting alcançaram o Alasca e seguindo as manadas de bisões, (que os ignorantes dos americanos chamam de búfalos) desciam pelo continente pela faixa compreendida entre o Oceano Pacífico e as Montanhas Rochosas. Encontraram nestas planícies uma grande quantidade de bisões e ali estabeleram construindo suas tendas com o próprio couro dos animais que abatiam.


O Abate de Bisões[editar]

Bisão

Os bisões eram muito importantes para os índios que habitavam as planícies e deles obtinham o leite, a carne, o couro e com os ossos fabricavam bijuterias, botões, cabos de facas, cabos de revólver, pentes e utensílios domésticos. A caça indígena não era muito impactante no início, pois usavam armas rústicas, como o arco e flecha. Mais tarde, quando eles conseguiram os rifles e as metralhadoras, pela compra ou pelo roubo, a situação mudou bastante.

Os bisões viviam desde a região de Alberta no Canadá, até o leste do Texas nos Estados Unidos, estimando que a população total possa ter alcançado 75 milhões de animais. Com o aumento dos abates indiscrinados, a cidade de Bosta de Touro (Bullshit) no Texas transformou-se num centro de comércio de couros de bisão. Vários curtumes foram instaladas na cidade e algumas fábricas que se especializaram em produzir artigos finos de couro como as bolsas Victor Hugo e sapatos Prada, Artioli e Moreschi. Outras pequenas empresas se dedicavam a moer a sobra de ossos para transformá-los em adubo, ou bem fino para vender para os fornecedores de cocaina, misturarem na droga.

Com o aumento da demanda de couros abateram apenas no ano de 1872, cerca de dois milhões de bisões. Além do couro, apenas a língua era aproveitada e exportada a um bom preço para os bons restaurantes de Nova York, Londres, Tóquio e Paris que a serviam como uma iguaria exótica. A carcaça era abandonada para ser devorada pelos coiotes e outras feras. O fedor da região era insuportável e tudo em volta rescendia carniça.

Durante a Guerra Civil americana de 1861 a 1864 foram contratados bandidos fichados pela polícia como caçadores para abater bisões, cuja carne era a única alimentação dos soldados. Em compensação eles eram anistiados dos seus crimes e poderiam ficar com o couro, a língua e os ossos do animal abatido.

Diligência indo para o Oeste Americano

A matança dos bisões também foi usada como um modo de subjugar os índios mais teimosos que resistiam à investida dos colonizadores em suas terras. Estes embates são retratados de maneira distorcida nos filmes de faroeste, inaltecendo os brancos invasores dentro das suas diligências trocando tiros de rifle e revólver com os pobres índios armados apenas de arco e flecha. Para a alegria da garotada, que não entendendo a razão, adorava ver índio cair morto dos cavalos. Quando os índios estavam vencendo chegava a cavalaria do exército americano tocando aquela corneta (era aplaudida pelos espectadores) sediada no forte, para com armamentos pesados matar todos os índios sobreviventes. Nunca contaram como é que a cavalaria ficava sabendo que os índios estavam ganhando.

A construção da ferrovia transcontinental que liga Nova York a São Francisco estimulou ainda mais a caça e o abate dos bisões para que sua carne fosse utilizada na alimentação dos milhares de empregados das empresas que trabalhavam na construção. Também a ferrovia com os seus trilhos, cortava o caminho das manadas, impedindo a sua passagem.

Os caçadores de bisões eram pessoas marginalizadas que gostavam de ver o sangue escorrer e unindo o prazer com a necessidade tentaram ganhar a vida num momento de dificuldade econômica causada pela crise ocorrida depois da Guerra Civil. Muitos deles tiveram o perdão dos crimes se aceitassem servir nos exércitos. Alguns destes caçadores chegavam a abater 5.000 animais por dia, usando eficientes rifles automáticos de fabricação israelense. Na década de 1880 existiam cerca de 5.000 pessoas que viviam dessa atividade.

Buffalo Bill

Um famoso e legendário caçador de bisões foi ‘Buffalo Bill’ que chegou a abater uma média de 12.000 animais por ano, além de outros milhares de índios. Depois, quando aposentado da atividade, virou apresentador de circo e gerente de puteiro. A sua personagem foi endeusada em muitos filmes do cinema americano como herói. Outros bandidos, tidos também como heróis foram Davy Crockett, Daniel Boone, Billy the Kid, Durango Kid e Kid Bengala.

‘Touro Sentado’ cacique dos índios Sioux que comandando sua tribo impôs uma humilhante e fragorosa derrota ao bem armado exército do general Custer em Little Bighorn, prenunciou a extinção dos bisões e dos próprios índios. Seu irmão 'Touro Deitado', era um boa vida só queria saber de participar como figurante nos filmes faroeste com o John Wayne. O chefe comanche ‘Dez Ursos’ disse: Há dois anos, eu encontrei por acaso esse caminho seguindo os bisões, pois minhas esposas (cada chefe podia ter cinco) e meus filhos precisavam comer e esquentar seus corpos. Mas os soldados atiraram contra nós matando alguns e desde esse tempo somos perseguidos e não sabemos mais para onde ir. No período de 1868 a 1881 foram abatidas 31 milhões de cabeças de bisões e 10 milhões de índios dos Estados Unidos. No final do século XIX existiam menos de mil cabeças de bisões em todo o território e com remorso tentando reparar a maldade que fizeram, o governo estabeleceu reservas para criar bisões e para proteger os índios que restaram.


Abate e Carne nas Religiões[editar]

Cena de Abate

A carência de alimentos, a aglomeração de pessoas num espaço exiguo, a falta de higiene e destino para os detritos e dejetos, provocaram surtos de doenças que mataram muitas pessoas. Para esta sociedade, estas situações não eram controláveis e nem explicáveis. Concluíram que estas ocorrências só podia ser a ação de uma força estranha e superior. Definiram como espíritos ou deuses os entes causadores destes infortúnios e passaram a render homenagens a eles para aplacar a sua ira e evitar a repetição destas ocorrências. Os deuses foram criados por medo de vingança e não por respeito e devoção. Vendo a própria imagem refletida na água acreditavam estar vendo o seu ‘espírito’, tornado visível pela magia da água. Vendo o corpo inerte de um morto acreditavam que o ‘espírito’ tinha abandonado aquele corpo. Os sonhos seriam os ‘espíritos’ invadindo o seu sono e a doença seria a invasão por um ‘espírito mau’ e a cura só seria possível se houvesse a expulsão deste 'espírito' sendo isto possível apenas com a ajuda de uma força superior.

Tudo fugia do entendimento comum, algumas pessoas sabidas logo se apresentaram como intermediários do relacionamento com os deuses e então surgiram os pajés, druidas, profetas, sacerdotes, padres, pastores, rabinos, babalorixás e imãs, que com o seu ofício ganharam prestígio e poder sobre os demais membros da comunidade. Privilegiados podiam ter muitas mulheres e riquezas, até comprar canais de televisão, estações de rádio, iates, casas em Miami etc. Eram os representantes dos deuses, que comunicava com os suditos apenas pela boca deles.

Para facilitar para os 'representantes' foi concebido um deus para cada fato ou acontecimento e assim surgiu o politeísmo. É como hoje ter um médico para cada especialidade. Foram criados um deus da fertilidade, um deus para proteger os rebanhos, para a caça, para o fogo, para as guerras, para o mar, para evitar doenças, para guardar as casas, para o vinho, para o sexo e centenas de outros, cada um com uma função especifica. O lugar que moravam, Olimpo para os gregos, era um verdadeiro bacanal (palavra derivada de Baco, deus do vinho) muito da pesada. Deuses comiam a deusa casada com outro deus, outro deus comia a filha, o chefe deles comia todo mundo, outro dava a bunda, uma deusa transava com humanos e houve uma deusa que transou com um touro e pariu o Minotauro. Diz a lenda que o touro não queria mais ela o seduziu vestida com um couro de vaca recem esfolado e o touro achou que era. Deve ter tido um 'senhor' orgasmo. 'Si non é vero, é bene trovatto'. O povo estabelecia com os deuses (via representantes) um contrato de barganha, oferecendo para ser abatido em sacrifício um bezerro, um carneiro ou uma criança para poupar os outros. Durante milênios os sacrifícios perduraram e até Jesus Cristo, tido como inovador, também ordenou abate de animais em sacrifícios. É interessante observar que o relacionamento do ser humano com os deuses sempre foi de subordinação, de medo, de terror, de terríveis ameaças de vingança. Nunca foi um sentimento de bondade e de benquerência sem contrapartida, sem nada em troca.


No Budismo[editar]

Buda

No Budismo, o princípio básico é não abater animais sejam eles grandes ou pequenos. É pecado até beber a água que contenha larvas ou os mosquitos da dengue, pois é uma forma de vida. Ensinavam aos monges que todos deviam respeitar qualquer espécie de animal e amá-los. Esse sentimento é chamado de ‘Metta’. É por isso que os budistas são vegetarianos. Na cosmologia budista os animais habitam um mundo diferente, separado dos humanos, não por espaço, mas por ‘estado de espírito’. Esse mundo é chamado ‘Tiryagyoni’. Buda, porém não era um vegetariano e conta a lenda que ele morreu por ter comido carne de porco que estava contaminada num churrasco na casa de um discípulo. Quando Buda ainda era vivo havia sacrifícios com abate de grande número de animais. Está contado no livro ‘Digha Nikaya’ que quando Buda visitava a cidade de Mauá (Magadha em tibetano), o brâmane Kudasogra estava preparando um sacrifício com o abate de 700 bois, 700 cabritos e 700 carneiros. Os magarefes já tinham sido contratados e as facas amoladas. O povo já aguardava a festa, pois era uma oportunidade para comer carne.Buda não concordou com o abate e ordenou que todos os animais fossem poupados e só fossem abatidos secretamente e assados três cordeirinhos para ele, degustar com os monges mais chegados, acompanhado de algumas garrafas de vinho francês reserva especial.


No Bramanismo[editar]

Adorador de Serpente

No Bramanismo, que não é o culto da cerveja Brahma, também é conhecido como Hinduísmo, eram venerados como animais sagrados, a serpente e a vaca. A serpente era consagrada a Vishnu e a vaca a Shiva. A imagem de Shiva, como divindade principal, estava presente em todos os templos. Shiva protegia a fecundidade da terra e a dos homens. A serpente consagrada a Vishnu era um símbolo fálico e todos ficavam alisando e deixando ela passear pelo corpo. Existe relato que uma beata deixava a serpente penetrar na sua xoxota e tinha orgasmos frenéticos que eram celebrados pelos fiéis em sua volta como uma manifestação divina.

Os praticantes do Bramanismo não podem abater e comer a carne de vaca e nem contrariar os hábitos deste animal. As vacas são animais intocáveis, se uma vaquinha teimar em cagar ou mijar no colo de alguém tem que deixar, sob pena de fazer um pecado. A vaca é venerada, por que no princípio a maioria do povo védico era de camponeses que dormiam no mesmo ambiente da vaca, que era dócil e amorosa com as crias, fornecia leite. A bosta da vaca ainda quente era um linimento para doenças da pele e a urina era usada como desinfetante e também ingerida para curar úlceras do estômago. Para algumas castas não era também permitido abater e consumir a carne dos animais selvagens que habitavam as matas, das aves carnívoras, dos animais de cinco unhas (elefante e tartaruga) e do camelo.

No Bramanismo, ‘ahimsa’ é a norma que não permite ao praticante molestar ninguém. É a primeira obrigação que todos devem cumprir para com deus e as suas criaturas. Isso significa que os animais devem merecer o mesmo respeito que se deve ter com os humanos. Não se pode chamar um homossexual de veado, pois seria uma ofensa ao delicado animal. Para os adeptos do Bramanismo, as mulheres quando menstruadas são proibidas de entrar na cozinha. Os fluidos emanados do seu corpo poderiam estragar os alimentos, fazer o leite azedar e desandar as massas. A cozinha é o lugar mais sagrado da casa. As refeições são feitas solitariamente e deve-se comer em completo silêncio, o que é um suplício para as mulheres.


No Jainismo[editar]

Bahubalit Ji

O Jainismo é uma religião criada pelas revelações recebidas por vários sacerdotes que chamavam ‘tirthankaras ’. Eles consideravam profetas, que como muitos outros de outras religiões e seitas propunham salvar a humanidade. Salvar de que ninguém sabe e nunca perguntaram, pois continuaram as doenças, as guerras, a fome e a morte como final de tudo. ‘Ahimsa’, o mesmo preceito de não molestar nenhum animal dos praticantes do Hinduismo, também é um dos pilares do Jainismo. Os praticantes da religião são leais a esse preceito, praticando a não violência em todos os níveis. Não permitem o abate de nenhum animal para servir de alimento. Eles acreditam que todos os animais, plantas, como os seres humanos têm almas e cada uma destas almas, sejam de qualquer espécie, deve ser respeitada e tratada com misericórdia. A visão que o Jainismo tem do mundo é baseada nesse princípio e em razão disso são vegetarianos, pois, como têm de se alimentar para continuar vivendo, consideram que as plantas quando consumidas, são as que sofrem menos dor. A suástica é um símbolo da religião.


No Mitraísmo[editar]

Touro Sagrado

O Mitraismo, culto do deus Mitra, era praticado entre os persas. Mitra, o ‘Sol Invencível’ derrotou o ‘Touro da Escuridão’, abatendo-o com o seu punhal de ouro. Conhecido como deus da verdade, da pureza, e da fortuna, protegia as coisas novas e as colheitas, sendo a força responsável pelo equilíbrio universal. Foi uma das primeiras manifestações de monoteísmo que deu certo durante um longo período, modelo para o Judaismo, Cristianismo e Islamismo. Numa cerimônia especial frequentada apenas pelos iniciados do sexo masculino eram realizados com regularidade rituais secretos, onde o principal culto era o abate de um touro jovem, que antes de ser abatido era masturbado e o sêmen era bebido e aproveitado para lambuzar o corpo dos rapazes que ficavam todos peladões, deitados no piso e em estado de êxtase. Antes do sacrifício era farta a distribuição de vinho e mascavam uma espécie de cogumelos alucinógenos para entrar em transe. Sodomia e felação faziam parte dos rituais. Era uma suruba total. Quando os soldados romanos invadiram a região, tarados por uma orgia, conheceram a crença e os rituais que de pronto foi adotada por alguns legionários graduados, forçando as tropas a segui-los. O imperador Cômodo, outro devasso, que reinou de 180 a 192, converteu-se ao Mitraísmo e impôs o culto a todo o Império.

O Mitraismo competiu com o Cristianismo durante os primeiros dois séculos de nossa era, sendo que vários aspectos de sua mitologia foram no final do século IV, incorporados pelos adeptos do Cristianismo. Um deles é a comemoração do ‘Solstício do Inverno’, no dia 25 de dezembro, que marca o nascimento do ‘Deus da Luz’. Era o dia para se trocar presentes. A comemoração foi assimilada pelo Cristianismo como dia de Natal.


No Judaísmo[editar]

Rabinos

No Judaísmo o conceito de ‘tsa’ar ba’alei chaim’ é equivalente a ‘ahimsa’ dos indianos, isto é, a obrigação de não molestar animais. No ‘Código de Leis Judaicas’ está escrito: É proibido de acordo com a lei do Torá, provocar dor em qualquer ser vivo. Pelo contrário, é dever de todos aliviar a dor de qualquer criatura, até mesmo se ela não tem dono ou pertença a um não-judeu. Como pode um animal ser abatido sem sentir dor? No Torá, o livro Levitico prescreve com detalhes o tipo de carne que pode ser consumida e a que não pode. Classifica os animais em duas categorias: os puros e os impuros. A principal característica do animal puro é ter órgãos de locomoção própria, ter o casco fendido e ser ruminante.

Abate no ritual judaico

A carne bovina pode ser consumida e para isso deveria ser proveniente de um animal que fosse abatido pelo ritual ‘Kosher ’. O sangue deve ser totalmente eliminado. Com este objetivo os animais devem ser degolados pelo ‘schochet ’, sem insensibilização, com uma faca bem afiada (‘chalaf’), seccionando entre a cartilagem cricóide e laringe, cortando a pele, a traquéia, o esôfago, veias jugulares e artérias carótidas, para proporcionar o sangue esvair rapidamente até a última gota. Não se pode aproveitar o sangue para nada. Nos primeiros tempos, só era permitido o abate de animais velhos que não podiam mais serem empregados na lavoura. Consumia-se muita carne de cordeiro entre os judeus. O patriarca Moisés exortava o povo para abater em sacrificio um cordeiro na Páscoa. Todo judeu tinha por obirgação visitar Jerusalém durante o período da Páscoa e comer a carne assada de um cordeiro abatido na hora, acompanhada de quatro taças de vinho (um litro!). Jerusalém tornava-se naquela época, um local com forte cheiro de carne assada e com muitos peregrinos alucinados pelo efeito do álcool, dançando pelados pelas ruas, balançando seus pintos circuncisados encostando nas bundas dos outros. Alguns gostavam e retribuiam com um beijo fraterno. A maioria dos visitantes abatiam e assavam os seus cordeiros na própria rua, descartando ali mesmo as tripas cheias de merda, o sangue e as miudezas. Alguns cachorros comiam o coração, o fígado e os rins ficando o resto apodrecendo no chão cheio de moscas. Com o calor o fedor causava nauseas e vômito nas pessoas. O próprio Jesus, que era cognominado o ‘cordeiro de Deus’ nas vésperas de sua morte, participou com os apóstolos do ritual da Páscoa judaica como qualquer judeu. Levou e abateu o seu cordeiro e beberam as taças de vinho.


No Islamismo[editar]

Muçulmano orando?

O Islã também manda respeitar os animais como criaturas de Deus. No Alcorão e na história da civilização islâmica existem muitos exemplos de bondade, misericórdia e compaixão pelos animais. No Alcorão está escrito que todos os animais da terra e as aves do céu fazem parte da mesma comunidade. Maomé narrou uma visão na qual uma mulher estava sendo punida depois de sua morte, por que tinha mantido preso um gato, durante a sua vida, sem dar-lhe alimento e água, pois, se o animal estivesse em liberdade ele poderia, por si mesmo, procurar o seu alimento. No Alcorão os preceitos alimentares têm semelhança com o que está escrito no Levitico e é observado no Judaísmo. O camelo, mais utilizado no mundo islâmico como animal de trabalho do que em qualquer outro, podia ser abatido e tinha a sua carne consumida. Nas longas viagens, quando a fome apertava o beduino abatia o camelo comia e continuava a viagem a pé.

O ritual de abate de bovinos é similar ao ritual judaico, sendo denominado ‘Dhabiha’. Este método de abate dos animais consiste em uma rápida, profunda incisão transversal com uma faca bem afiada em volta do pescoço, cortando a traquéia, o esôfago, o nervo vago, a veia jugular e as artérias carótidas de ambos os lados, mas deixando a medula espinhal intacta. Durante o ritual a pessoa autorizada pelo imã deve fazer uma oração consagrando o animal como propriedade de Alá. Cada animal deve ser abatido por vez, não sendo permitido ser observado por outros animais. A propósito, o Profeta não era vegetariano. Tinha um paladar bem apurado: gostava de iogurte com manteiga, tâmaras, romãs, uvas e figos. Um cordeirinho assado só nos finais de semana. Uma das normas dos seguidores da religião é a de usar a mão esquerda para comer, por que a mão direita é usada para limpar a bunda depois de cagar.


No Cristianismo[editar]

Só quero as novilhas!!!

O Cristianismo nasceu com uma seita do Judaismo e como tal foi arrebanhando seguidores jovens apenas nas adjacências da Palestina. São Paulo, que pode ser considerado o fundador da religião, era um cidadão romano prestigiado, eloquente e erudito que convertendo-se para a seita espalhou a mesma para outros lugares do Império Romano. Houve perseguições dos imperadores de Roma, até que Constantino em 312 adotou o Cristianismo como religião oficial do Império Romano. obrigando todos os romanos a serem cristãos. Os cristãos de perseguidos passaram a ser perseguidores das outras religiões e seitas. Para ser oficializada teve que haver um sincretismo do Cristianismo original com o politeismo do povo romano. Sendo no início todos vegetarianos e comedores de peixe logo os cristão tornaram-se consumidores vorazes de carne imitando os politeístas. Os abatedouros eram chamados de ‘macella lanierae’, quando era dedicado a bovinos e ovinos e ‘suarii’ quando de suínos. O magarefe era chamado de ‘lanio’ e o açougueiro, homem que desossava e vendia a carne, era chamado de ‘carnifex’. Os açougueiros eram profissionais de prestígio no Império Romano. Existiu em Roma uma confraria para congregá-los com muito poder político. Atualmente de todos os cristão, apenas os adeptos da igreja dos Adventistas do Sétimo Dia não consomem carne de porco, seguindo os preceitos do Levitico.


O Comedor de Pecados[editar]

Velório na Idade Média

Havia em muitas aldeias da Europa medieval a figura do ‘comedor de pecados’. Geralmente era uma pessoa pobre, sem escrúpulos, que precisava de alguma desculpa para alimentar a si próprio e a sua família. Quando morria um nobre considerado pecador, sua família preparava um banquete para uma única pessoa, com muita variedade de iguarias, principalmente carnes de várias espécies. Colocavam o cadáver do nobre no centro da mesa e as iguarias em volta. O ‘comedor de pecados’ era levado até o recinto para passar toda a noite sozinho onde podia refestelar-se, comendo o que pudesse e levando o que sobrasse para casa. Com isso, acreditavam que os pecados do falecido tinham sido transferidos para o pobre coitado que se serviu do banquete. Existem relatos de alguns cronistas que alguns tidos como morto amanheciam no outro dia sentado ao lado do 'comedor de pecados': tiveram morte aparente ou apneia. Imagina o susto dos familiares que já tinham repartido a herança.


Os Abatedouros Públicos[editar]

Um açougueiro francês

Os abatedouros públicos foram instituídos no tempo do Império Romano com o objetivo de oferecer a população carne de melhor qualidade e possibilitar controle dos abates dos animais destinados ao consumo e assim cobrar os tributos. Depois, com o advento da indústria organizada a sua existência não tinha mais razão de ser como entidade pública, porém, sobreviveu nas pequenas povoações do interior do Brasil que não têm como se abastecer de carne e evitar os abates nas próprias fazendas. São os mal cuidados e infetados matadouros municipais. Quem visita um vai ter repugnância ao consumir carne.

Em Paris, na Idade Média, o matadouro público municipal ficava no centro da cidade, na Ilha da França (Île-de-France em francês), a um quarteirão da catedral de Nossa Senhora (Notre Dame em francês). Os animais a serem abatidos, em manadas, tangidos por peões, passavam pelas ruas centrais da cidade, cagando, mijando, berrando e investindo nas pessoas. Mais tarde já no século XIII, o matadouro foi transferido para Castelo Grande (Grand Chatelêt em francês) Naqueles tempos, sem refrigeração artificial, era imperativo que os matadouros ficassem próximos dos açougues para poder comercializar a carne fresca em boas condições o mais rápido possível, nos dias mais quentes de julho os últimos pedaçõs vendidos mais baratos já estavam fedidos. Abatiam-se apenas os animais suficientes para o consumo do dia, mas de vez em quando eles erravam e tinham que fazer muita linguiça para consumir a carne que sobrava. Para facilitar, nas vilas e aldeias do interior, os pequenos matadouros ficavam na mesma rua dos açougues. Em 1810, Napoleão Bonaparte, para melhorar as condições de vida dos habitantes de Paris, decidiu mandar construir cinco matadouros fora do perímetro urbano. Foi definido que três deveriam se localizar na margem esquerda do rio Sena e dois na margem direita. O projeto inicial era que estes matadouros fossem construídos pelos próprios açougueiros, porém, eles não aceitaram a proposta. O ministro do Interior decidiu então, que o Estado construísse os matadouros contratando a Andrade Gutierres,recebendo uma comissão de 10% como é de praxe. Para o seu uso seria cobrada uma taxa fixa por cada cabeça abatida pelos açougueiros. Foram necessários oito anos para a construção destes matadouros devido aos constantes pedidos da construtora para reajustar o preço. Logo que foram inaugurados, um decreto do Governo proibiu definitivamente a passagem de animais vivos pelas ruas centrais de Paris. Em 1867, foi construído o matadouro central de Vila Velha (La Villette em francês), que veio a substituir os cinco existentes em ambas às margens do rio Sena, que já estavam obsoletos.

Alguns açougueiros de Smithfield

Em Londres, o mercado de Campo dos Ferreiros (Smithfield em inglês), desde o final do século XII e até meados do século XIX, era o local de comercialização de animais vivos ou abatidos destinados ao abastecimento da cidade. Antes os abates eram efetuados ao ar livre em locais pré-determinados pelas prefeituras que ficaram conhecidos como ‘shambres’. Por esta razão várias cidades britânicas têm hoje ruas com este nome. Estes abates no meio da rua, sem nenhuma higiene, causava repulsa e constrangimento para muitas pessoas que não suportavam o cheiro do sangue e do estrume dos animais. Inicialmente em 1173, em Campo dos Ferreiros, era realizada aos sábados uma feira de cavalos. Também por ser um local público e de fácil acesso, foi onde realizavam execuções de condenados à morte, como Guilherme Galhardo (William Wallace), herói escocês, enforcado e esquartejado em 1305 e Valter Timoneiro (Walt Tyler), o líder da ‘Revolta dos Camponeses’, morto em 1381. Durante a crise religiosa do século XVI, foi onde levaram a fogueira, vários mártires protestantes e católicos. Em 1855, com a inauguração do mercado metropolitano de Ilha Solteira (Islington em inglês), o senado para evitar os problemas causados à cidade, mandou transferir para o novo mercado todas as atividades de comércio e abate de animais realizados em Campo dos Ferreiros. Em 1860, foi decidida a construção de um novo edifício para o mercado de Campo dos Ferreiros, que seria destinado à comercialização apenas de carne abatida. O projeto foi executado por Horácio Marceneiro (Horace Jones). Os principais setores de comercialização foram construídos numa plataforma sobre as linhas da estrada de ferro, para facilitar a chegada dos animais abatidos dos matadouros.

Numerosos matadouros públicos existiam nas maiores cidades da Alemanha desde a Idade Média. Eles eram conhecidos como Praça da Barrigada (‘Kuttelhofe’ em alemão) e ficavam geralmente localizados próximos aos rios, de onde provinha a água para as operações de abate e onde eram também descartados todas as tripas com a bosta dentro e outras sujeiras. Apesar de oficiais, estes estabelecimentos eram controlados pelo poderoso sindicato dos açougueiros. que cobravam os preços que queriam. Em 1899, foi construído um moderno matadouro em Nova Salina (Neusalz em alemão), próximo ao rio Oder, que veio a servir de modelo para muitos outros, como o de Nurembergue, lugar do abate dos judeus pelos nazistas.

No começo do século XVI, Madrid já contava com um matadouro público destinado apenas ao abate de gado bovino. Era situado na rua Toledo, contíguo à porta do mesmo nome, bem no centro da cidade. No século XVII outro matadouro foi construído em Rastro, destinado ao abate de ovinos. O matadouro público de Córdoba foi construído em 1491. O matadouro de Sevilha estava situado fora dos muros da cidade, junto a Porta da Carne, num galpão de 10 metros de largura, sustentado por 14 arcos romanos e com espaçosos currais. Tinha bom suprimento de água para o serviço de limpeza, passando um ribeirão nos fundos que como os outros era onde descarregava toda a imundície do abatedouro que exalava um cheiro nauseante. Em Málaga, foi construído, logo após a sua reconquista dos Mouros em 1487, um matadouro público junto a Porta del Mar, que em 1498 foi transferido para fora das muralhas da cidade, devido as reclamações dos moradores sobre o mau cheiro e a poluição. Em Valladolid funcionava o matadouro em Medina del Campo.

Na Itália uma lei de 1890 exigia que toda cidade com mais de 6.000 habitantes tivesse um matadouro municipal. Em Roma, durante o período de 1888 a 1891, o matadouro municipal funcionou em Monte Testaccio, onde também existia o mercado de carnes. Todos os açougueiros da cidade eram obrigados a comprar as carnes neste local.

Na Bélgica, os abatedouros públicos existiam em todas as vilas e cidades, independentes do tamanho de cada uma. Na Suíça era obrigada a existência de matadouros em todas as comunidades com mais de 2.000 habitantes. Na Dinamarca, o primeiro abatedouro foi estabelecido na cidade de Mata Cavalos (Horsens em dinamarquês) em 1887.

Alguns açougueiros de Nova York

Em Nova York antes do ano de 1676, o gado era abatido no centro da cidade, próximo a Rua do Muro (Wall Street) no Bairro do Córrego (Brooklin). É por isso que existe até hoje no local uma estátua de um boi. Depois, da sua desativação, outro matadouro público foi construído na costa do Rio Oriental (East River), que foi demolido em 1696. No ano seguinte, Genésio Guilherme Filho (Ebenezer Wilson) obteve o direito de construir e explorar dois matadouros por um período de 35 anos, um ficava bem próximo do outro, na região de Espiando o Escorregão) Peekslip, também na costa do Rio Oriental (East River). Ganhou muito dinheiro e como entrou para a política, vendeu os direitos de exploração dos matadouros para a viúva de (Cortesão) Cortlandt (mulher de seu amigo e secretário) e João Mordomo (Johannes Beckman). O crescimento populacional da região foi grande e o matadouro ficou cercado de residências e passou a perturbar a vida dos moradores, com o mau cheiro, o barulho e a passagem dos animais pelas ruas. Em 1720 foi desativado. João Gelatina (John Kelly), no mesmo ano, construiu outro matadouro entre as ruas Vergão Inflamado (Roosevelt) e Água (Water), ficando com o direito de exploração pelo período de 21 anos.

Durante as lutas pela Independência, os açougueiros que doaram muita carne para os churrascos dos políticos conseguiram permissão para instalar um matadouro na rua Isabel (Elizabeth). Durante a primeira metade do século XIX a criação de gado expandiu muito nos Estados Unidos e foram construídos muitos matadouros particulares para abater os animais que seriam enviados para o consumo. Já se empregava a refrigeração industrial na maioria deles. Diferentemente de outros países, não havia preconceito algum no consumo de carne desossada resfriada. O preconceito nos países de cultura latina é pela lembrança que eram desossadas para a venda apenas as peças com ferimentos feios e defeituosas que não puderam ser vendidas frescas. Em 1840 a cidade de Cincinato (Cincinnati) em Ohio, tinha se tornado o centro de processamento de carne dos Estados Unidos. A maioria das fábricas ficava à margem do rio Ohio, que era usado para transportar de barco os produtos acabados e para receber os detritos industriais. Depois, de 1865, quando a Cooperativa de Currais (‘Union Stockyards’), fundada por Timóteo Pedra Preta (Timothy Blackstone0 construiu o complexo de currais e abatedouros em Chicago, esta cidade veio a tomar o lugar de Cincinato (Cincinnati). Foi em Chicago em 1932 que teve início o abate indústrial, que antes era feito artesanalmente por centenas de magarefes cada um executando a tarefa de desmontar um animal inteiro. A ideia foi introduzir nos matadouros o princípio de racionalização do trabalho desenvolvido por Henrique do Vau (Henry Ford) nas suas fábricas de automóveis. Não haveria linha de montagem, mas sim, uma linha de desmontagem. Os magarefes treinados eram posicionados em plataformas e as carcaças chegavam a eles por um trilho suspenso. Cada um tinha a tarefa de executar em todas as carcaças uma mesma operação, passando-a para o próximo fazer a sua, até a carcaça estar totalmente desmontada.

Na cidade do México também os abates eram efetuados nas ruas ou nos fundos dos açougues. No início do século XIX, com a construção do matadouro municipal de San Lucas o abastecimento de carne passou a ser monopólio da prefeitura, até que durante o governo de Porfírio Diaz este monopólio foi suspenso, por que os comerciantes de carne se organizaram formando cartéis informais que controlavam o acesso ao matadouro municipal. Os açougueiros de carne suína chamados ‘tocineros’, também se organizaram a seu modo, centralizando os abates de porcos em alguns locais pré-determinados, até que um matadouro municipal para suínos fosse inaugurado em 1886, facilitando a cartelização informal. Com os constantes problemas de higiene, sanidade dos animais, sonegação de impostos e escassez de produtos, o Estado voltou a intervir no setor. Foi construído um novo matadouro municipal em Peravillo em 1897. No terremoto de 1899, grande parte do estabelecimento foi destruída e teve que ser reconstruído. O governo concedeu a Alberto Terrazas o direito de exploração do matadouro em troca do financiamento das obras de reconstrução. Foram gastos 2,5 milhões de dólares e o matadouro reinaugurado em 1905. Em 1901 o comerciante de Chicago João das Chaves (John deKay) conseguiu do governo federal mexicano a licença para comercializar carne desossada resfriada na capital federal. Foi criada uma empresa de capital norte americano e britânico que construiu um entreposto para o processamento de carne resfriada em Uruapán, estado de Michoacán em 1908, de onde propunha abastecer os açougues da capital. A empresa tinha como sócio o vice-presidente mexicano Romão Curral (Ramón Corral), que com os seus bons relacionamentos políticos conseguiu do Ministério das Finanças a isenção de impostos para a fábrica durante cinco anos. Quando o primeiro carregamento de carne resfriada procedente dos Estados Unidos chegou ao porto, foi apreendido e destruído pela alfândega pelo não pagamento das taxas de importação. Iniciou-se uma crise. Chaves foi forçado pelo governo a comprar de Alberto Terrazas a sua concessão de exploração do matadouro de Peravillo por 2,5 milhões de dólares, o mesmo valor que ele tinha investido na reconstrução do mesmo. Usando propaganda intensa e sorteios de prêmios, como máquinas de costura (uma novidade na época), a empresa de Chaves conseguiu superar a resistência dos mexicanos ao consumo de carne frigorificada. Foram abertas diversas lojas em pontos estratégicos e as vendas cresceram, chegando a dominar 85% do mercado. Foi construído um armazém frigorífico em Rancho del Chopo para ajudar na logística. Com a deposição de Porfirio Diaz em 1911 pela Revolução, uma série de problemas políticos e financeiros prejudicou a empresa que veio a falir em 1912. Quando DeKay faleceu em 1938 a fábrica em Michoacán estava em ruínas e o matadouro de Peralvillo sobreviveu até 1955, quando foi fechado e substituído por um moderno matadouro em Rastro Ferreri.

Açougueiro argentino

O primeiro matadouro oficial de Buenos Aires foi construído em 1607. Funcionava na Praça do Vale (Lavalle), sendo depois, transferido para Recoleta e finalmente para Belgrano. Um funcionário do Cabildo era responsável pelo controle de qualidade e tabelar os preços das carnes. Em 1830, começou a funcionar o matadouro de Convalescencia, assim chamado porque foi construído onde havia existido um hospital de recuperação de enfermos. Funcionou no local até 1872 quando foi transferido para o Parque de los Patrícios. Em 1884, devido a uma grande enchente e a reclamação frequente dos vizinhos pelo mau cheiro, foi decidido a desativação do matadouro. Em 1889 foi lançada a pedra fundamental do ‘Mercado Nacional de Fazenda e Matadouro Municipal’ que seria construído ao sul de Liniers. Só em 1900 é que foi concluído e o local ficou conhecido como Nueva Chicago. Junto ao matadouro numa área de 32 hectares, nos moldes da Cooperativa de Currais (‘Union Stockyards’) de Chicago foram construídos 3.000 currais para receber e expor o gado a ser vendido, sendo o principal responsável pelo fornecimento de bovinos em pé para a maioria dos frigoríficos em torno de Buenos Aires. Mesmo depois, do fechamento do matadouro continuou funcionando os currais e hoje é uma empresa privada.

Em Montevidéu, no Uruguai, o matadouro municipal foi instalado em La Tablada em 1876. Em 1889 o matadouro foi reformado e continuou funcionando até 1931 quando foi transferido para La Madrid e Pedernera.

Em São Paulo, o primeiro matadouro municipal começou a funcionar no bairro do Bixiga em 1773. Um matadouro provisório funcionou na rua Santo Amaro, próximo a igreja de Santa Cruz, fazendo divisa com a chácara de Vicente de Souza Queirós. Uma comissão decidiu e a prefeitura mandou construir em 1852, um novo matadouro conhecido como o de Humaitá e ficava num prolongamento da rua da Pólvora, em terreno que dividia na frente com a chácara de Antonio de Pádua Lisboa, do lado esquerdo com a estrada que ligava a vila de São Paulo à aldeia de Ibirapuera e pelos fundos com a chácara de João Sertório. Só foi inaugurado em 13 de agosto de 1853, pois foi necessário abrir uma rua de acesso ao matadouro. Permaneceu funcionando no local até 1887 poluindo e infestando esta região da cidade. Nesse ano foi demolido e o terreno vendido a preço de banana para o conde de São Joaquim que o loteou, vendeu os lotes a preços extorsivos e tirou o pé da merda em que estava apesar de ser conde (era fazendeiro de café e perdeu fazenda, casas, iate, aviões e até o apartamento de Guarujá)., . Finalmente foi inaugurado em 1887 o grande matadouro na Vila Mariana, o último de São Paulo.

No Rio de Janeiro, o primeiro matadouro público foi construído em 1774 na praia de Santa Luzia, na Glória. Em 1853 foi desativado e transferido para a praça da Bandeira em São Cristóvão. Em 1881 foi construído e inaugurado o matadouro municipal de Santa Cruz, que em 1884 teve instalada a sua conexão com o sistema de estrada de ferro. Foi o último matadouro público da cidade.

Remontam-se ao século XVIII as primeiras referências sobre o matadouro público de Salvador que era localizado na área contígua ao mosteiro de São Bento, denominada de Hortas de São Bento. No ano de 1757 os currais do matadouro localizavam-se na praça da Piedade. Em vários espaços próximos às Hortas de São Bento, existiram outros currais menores onde o gado esperava o abate. Existem referências a currais na praça da Piedade, nos Barris, nos campos do Barbalho e no largo do Campo Grande. Durante o século XVIII, e até o início do século XIX, foi ali que funcionou o matadouro público que recebia gado proveniente da Feira do Capoame. O matadouro com seus problemas começou a incomodar a população. Os dejetos, as vísceras e as carcaças impróprias para o consumo eram descartadas no córrego chamado de rio das Tripas, produzindo mau cheiro e presença de urubus e ratos. A solução foi transferir o matadouro público para os campos do Barbalho, na freguesia de Santo Antônio Além do Carmo. O Barbalho tinha conexão direta com a estrada das Boiadas. Uma grande área ocupada pelo curral do matadouro era conhecida como Currais de São José onde as reses aguardavam o abate. As instalações dos currais eram amplas, pois semanalmente abatia-se uma média entre 400 e 500 animais. A mudança do matadouro para Barbalho dinamizou o crescimento de Salvador em direção àquela área, em um movimento muito parecido com o que tinha acontecido no centro de Salvador, enquanto o matadouro estava instalado nas Hortas de São Bento. Nas ruas próximas instalaram-se muitos açougues e outras vendas que dedicavam-se a ao comércio de produtos derivados do abate, como miudos e sebo. Em 1849 foi efetuado o alargamento, limpeza e cobertura do rio das Tripas, que foi concluido em 1862. A via pública construida sobre o rio foi denominada rua da Vala. Existiram outros matadouros em Salvador, embora a superintendência do matadouro público da Bahia, a partir de 1866, fosse o órgão central na distribuição do gado para o abate em outros matadouros da cidade. O poder público permitia a existência de matadouros em freguesias rurais, como na povoação do Rio Vermelho, em Brotas e Itapagipe.


Manejo do Gado Destinado ao Abate[editar]

Pastagem deteriorada

Qualquer que seja o lugar do mundo, o gado é sempre exposto a duras condições, sofrendo frequentemente, crueldades gratuitas no decorrer de suas curtas vidas. Só nos Estados Unidos, onde cada cidadão come sete bois em toda a sua vida, mais de 100 mil cabeças de bois são abatidas por dia. Principalmente no Brasil, o gado é rotineiramente castrado, seus chifres serrados, seu corpo é marcado a ferro quente tudo sem anestesia. Estes procedimentos são realizados somente para benefício econômico e conveniência dos produtores de carne. Ao pastar a céu aberto, eles são expostos a condições climáticas extremas, que vão desde calor insuportável frio até tempestades e secas. Muitos animais sofrem e morrem de calor, frio, sede, fome, doenças e envenenamento por plantas tóxicas ou mordidas de cobras. Após diversos meses no campo, o gado é transportado para locais de confinamento. Nesse local, dezenas de milhares de animais são apinhados em áreas lamacentas quando chove, infestadas de moscas e cheias de estrume, onde o estresse os torna suscetíveis à febre e a outras dolorosas doenças debilitantes. Defender-se das moscas pode fazer com que eles percam um ou dois quilos por dia, por isso os produtores os pulverizam regularmente com inseticidas altamente tóxicos, que as vezes os intoxicam.


Confinamento para Engorda[editar]

Confinamento de Bois

O gado não se adapta de imediato a comer grandes quantidades de silagem e farelos. A mudança fisiológica abrupta na dieta causa dolorosos problemas digestivos, principalmente flatulência. Peidam tanto que ficam com o cu sangrando. Para aumentar o ganho de peso e reduzir os custos alguns produtores adicionam serragem à ração. Outros preferem adicionar cama de frango e bosta de porco seca e eles comem.


Transporte para o Matadouro[editar]

Transporte de animais

Quando atingirem o peso ideal, os animais são transportados por caminhões gaiolas, chamados de boaideiros até os matadouros. Freqüentemente são manejados com brutalidade: levam choques elétricos no cu, no saco e na boca, são chutados e arrastados. São privados de alimento e água e sofrem exposição a condições ambientais difíceis por longos períodos. Caminhões que transportam gado para os caminhoneiros ganharen mais estão sempre superlotados, o que resulta em quedas, pisoteamento e lesões durante o transporte. Os animais que sofrem trauma nas pernas, alcatra, pescoço ou perna, são arrastados para fora dos caminhões até o piso do matadouro, onde, muitas vezes, agonizando de dor, chegam a esperar horas para serem sacrificados. Os que não tiveram problemas são mantidos aglomerados num pequeno curral com um chuveiro rotativo aspergindo água fria constantemente no seus corpos, o que provoca frio e desconforto.


Abate de Bovinos[editar]

Empregados de Matadouro

Mesmo hoje em dia, o processo de abate permanece primitivo e violento. Animais entram no abatedouro um a um. Os abatedouros usam uma pistola pneumática atordoadora. Quando é chegada a hora do abate, os animais, são forçados a entrar num corredor estreito. Desesperam-se, tentando fugir de todas as formas, viram-se de um lado para o outro, batem com a cabeça nas laterais e os olhos ficam cheios de terror. Sentem o cheiro do sangue dos companheiros mortos e recusam-se a seguir adiante. Alguns, já sem força, caem e são pisoteados e os que permanecem de pé são forçados a prosseguir, tangidos a choques elétricos. Ao final do percurso, um por um, são contidos em pequenos boxes e covardemente massacrados. São então suspensos – ainda vivos – por uma das patas traseiras. Seus músculos se rompem em virtude do grande peso de seus corpos. Operários com longas facas cortam a garganta de cada animal, na veia jugular e carótida, deixando-o sangrar até a morte, pendurado de cabeça para baixo sobre um tanque. O sangue é processado para a fabricação de salsichas. Separam a hemoglobina e o plasma. A hemoglobina é usada para dar a cor vermelha da massa da salsicha e o plasma para aumentar o nível de proteina.


Crueldade no Abate[editar]

Atordoamento antes do abate

Os matadouros costumam afirmar, que “do boi se aproveita tudo”, dos cascos ao chifre, sendo por isso um “animal muito útil ao homem”, conforme aprendemos na escola. Até mesmo as patas, consumidas como mocotó, também fornecem material para a geléia. As gelatinas são produzidas com a raspa dos couros que já fedendo vão para os curtumes. Se você chique como é, com a nova namorada, namorado ou amante, para impressionar, vai a um restaurante de luxo e pede uma vitela acompanhada de um bom vinho francês, lembre-se que a vitela nada mais é do que uma bezerrinha abatida na idade que ainda está mamando.


Hamburguers[editar]

Hamburguer

A McDonald´s, a maior rede mundial de venda de hamburgers, gasta milhões de dólares em campanhas de propaganda direcionada a crianças e jovens, tentando mostrar que seu produto é bom. Criaram até um palhaço chamado Ronald McDonald. Nos anúncios, eles jamais deixam transparecer que para produzir os hamburgers têm que matar bois e vacas. Tentam mostrar para as crianças (seu maior público) que os hamburguers nascem como plantas ou flores. Quem dava vida ao palhaço Ronald McDonald era o ator Jeff Juliano que, ao inteirar-se da forma cruel como o gado vive e é abatido, abandonou o emprego milionário e tornou-se vegetariano.


A Carne a Caminho da sua Mesa[editar]

Magarefe italiano
  • O animal chega ao matadouro e é descarregado nos currais que são equipados com chuveiros rotativos que jogam água sobre eles todo o tempo de espera. Só tem água para beber e nada mais. Ficam todos amontoados e tentando-se proteger da 'chuva'.
  • O animal é tangido a poder de choque elétrico que faz mais efeito no seu corpo molhado para um corredor que dá acesso ao local da insensibilização.
  • É feita a insensibilização (atordoamento) através de um tiro de pistola pneumática ou de uma pistola elétrica e até se necessário, a golpes de marreta na fronte. Ele cai abruptamente.
  • O animal é pendurado em uma corrente pela pata traseira de cabeça para baixo (há a ruptura dos tendões da coxa, e o animal tem a carne rasgada pelo próprio peso).
  • É feita a degola e tanques aparam o jorro de sangue para depois ser processado para fabricar salsichas.
    Boi aguardando o atordoamento
Bois no matadouro
  • É feita uma abertura para esfola do couro. O couro é retirado mecanicamente.
  • Começa o processo de esfola total e divisão da carcaça ao meio, lavagem e pesagem.
  • A carcaça é levada para uma câmara de resfriamento, ficando por um período de 24 horas.
  • As metades são divididas em quartos traseiros e dianteiros e vão para a desossa
  • Na desossa os cortes são removidos do osso e empacotados de acordo com cada especificação.
  • Você compra a carne para moer, cozinhar, assar ou fazer churrasco.